Data: 07/01 . Impresso: O Estado
Editoria: Economia
Página: 11

Economia

A alta registrada pelo FipeZap, no entanto, não reflete a análise de representantes do mercado imobiliário cearense. Para Paulo Angelim, diretor da imobiliária Viva Imóveis, o índice pode ser considerado um parâmetro, porém, não muito confiável. "O índice FipZap registra valores de imóveis avulsos que estão em anúncios, não registram os valores de vendas. A base de dados não é a mesma. Em um mês, pode ter 300 anúncios, no outro, 150 e assim por diante. As distorções, portanto, são grandes. Quando altero a mostra, automaticamente há alteração na margem de erro da pesquisa", explica.

Ele lembra, ainda, que o FipeZap não é considerado pelo Núcleo de Real Estate (NRE), da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), grupo de pesquisa que tem como objetivo coordenar o real estate brasileiro, realizando pesquisas, discutindo diretrizes e metas de mercado para, posteriormente, divulga-las para o mercado.

 

Angelim acredita que houve um leve incremento na valorização do metro quadrado em 2013, mas fruto da sazonalidade, com o breve aquecimento do mercado nos últimos meses do ano. Em sua análise, para a pesquisa revelar dados mais confiáveis seria preciso levar em consideração a mesma tipologia de imóveis, região, padrão e outros fatores. “A diversificação da base de dados compromete a análise do resultado”, aponta.


TENDÊNCIAL REAL
A tendência real na valorização do metro quadrado é de aproximação aos valores indicados pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), diz Angelim. O INCC acumulou alta de 8,05% em 2013. “Acredito que a tendência de valorização do metro quadrado deve seguir o do INCC, mas caminhando ainda para 11%, porque temos uma questão de demanda reprimida”, analisa o diretor da Viva Imóveis.
O gerente comercial da Magis Incorporações, Stênio Quinderé, concorda que a valorização do metro quadrado deve seguir a variação do INCC, mas ressalta que os imóveis não estão caros, o custo da obra é o verdadeiro gargalo do setor. “O grande problema é o custo da obra, que ficou muito mais caro. Os insumos aumentaram. Os preços do cimento e do aço estão absurdos. A locação de maquinário também ficou mais caro, assim como o custo com pessoal. Isso reflete no preço final. Na verdade o preço está equivalente ao que está sendo construído”, argumenta. E acrescenta: “Em 2014, a valorização vai existir, mas dentro da variação do INCC”.
Segundo Luiz Otávio, gerente comercial da Construtora Manhattan, 2013 registrou um leve incremento no INCC, porém, inferior ao resultado de 2008, que fechou em 12%. Na avaliação do profissional, contudo, alguns produtos se destacam no mercado, o que pode influenciar no resultado na tabela de valorização. “Um produto exclusivo, bem localizado, com excelente oportunidade de venda e também de moradia pode influenciar na valorização da região”, admite.

MAIS VALORIZADO
Os imóveis avulsos, avalia Angelim, trabalham com um dinâmica distinta dos que são vendidos na planta. Neste contexto, bairros como Aldeota e Meireles devem continuar valorizando o seu metro quadrado, pois têm baixa oferta de lançamentos e forte demanda. “Neste caso, em virtude da forte demanda e baixa oferta de imóveis novos, os imóveis usados sofrem com mais pressão para ter uma valorização maior”, pontua. 

Conforme Luiz Otávio, além de Aldeota e Meireles, Cocó e Guararapes também estarão despontando no mercado com o metro quadrado cada vez mais caro. “Guararapes, principalmente, por ser um bairro jovem vai ter uma grande valorização. Ainda tem muito espaço, não tem favelização no entorno e possui excelente terrenos. A Manhattan tem dois empreendimentos na região, um com 10 mil metro quadrado e outro de 12 mil metro quadrado cada vez mais caro. “Guararapes, principalmente, por ser um bairro jovem vai ter uma grande valorização. Ainda tem muito espaço, não tem favelização no entorno e possui excelentes terrenos. A Manhattan tem dois empreendimentos na região, um com 10 mil metro quadrado e outro de 10 mil metro quarado só de terreno. Isso valoriza o produto porque tem área de lazer e, consequentemente o metro quadrado da região também”, destaca. O gerente comercial pondera ainda que, na Aldeota e no Meireles, a questão que mais influencia a valorização do metro quadrado é a localização.

Quinderé ressalta a alta concentração de lançamentos imobiliários nos bairros Cocó e Guararapes. “Atualmente, a maior parte das novas construções está localizada nesses dois bairros. É preciso observar que os novos empreendimentos são home clubes, com grande infraestrutura de lazer e entretenimento, além de segurança. Então, a análise deve levar em consideração toda a infraestrutura do empreendimento e não apenas o metro quadrado da unidade privativa”, conclui.